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sábado, 18 de setembro de 2010

Filiação, origem, nascimento, casamento e morte de Francisco de Paula Farias (1867 ou 1869-1941) e de Anna Domingas Vicência da Conceição (1876-1913?)

Por não terem sido encontrados os registros de nascimento de Francisco de Paula Farias e de Anna Domingas Vicência da Conceição, serão usados como base: para o cálculo de seus anos de nascimento a certidão de casamento do casal; e para a obtenção de outros dados o registro de nascimento de um filho do segundo casamento de francisco nascido em 1914, chamado Bruno Timóteo Pires Farias. Abaixo segue o registro de casamento existente no cartório de Registro Civil do 1o Subdistrito de Dunas, Pelotas.

Registro original de casamento de Francisco de Paula Farias e Domingas Vicência da Conceição, parte 1/2
"Aos desecete dias do mez de Abril, anno de mil oitocentos e noventa e um, nesta freguezia de Santo Antônio da Boa Vista, terceiro districto do termo de Pelotas, Estado do Rio Grande do Sul, em casa de residência do cidadão Vicente Barros Monteiro, residente neste districto, (...) pelas cinco horas do dito dia, receberão-se em matrimônio Francisco de Paula Farias, com Anna Domingas Vicencia da Conceição, ambos solteiros, naturaes deste estado* e residentes neste districto, lugar denominado Lomba, elle de profissão trabalhador nas xarqueadas, com vinte e quatro annos de idade, filho natural de Timóthea Maria da Conceição, natural deste Estado e residente neste districto e ella, com quinze annos de idade, profissão doméstica, filha de Vicencia Maria da Conceição, natural deste Estado residente neste districto, ..."

Registro original de casamento de Francisco de Paula Farias e Domingas Vicência da Conceição, parte 1/2

Continuando com a segunda página do registro original manuscrito: "...ella casada com a devida licença de sua mãe. Cerimônia feita na forma da lei, tendo como testemunha por parte do nubente Miguel José da Silva, quarenta e cinco annos de idade, casado, trabalhador, natural deste estado, residente neste districto e Ana Maria Joaquina da Silva e por parte da nubente, Calisto, digo João Calisto de Carvalho, trinta e oito annos de idade, casado, carpinteiro, natural deste estado e residente neste districto. E para contas lavrei o presente que assigna o juiz, nubentes e testemunhas, assignado pelo nubente por não saber ler nem escrever, André Geige, e pela nubente, Bernardino Braulio Barcellos, e pela testemunha do nubente Ignacio Antonio Ganro, do que tudo dou fé, eu Manoel Celestino Gomes, escrivão que o escrevi... [ASSINATURAS]". De acordo com o registro, Também consta no documento que eles não sabiam ler nem escrever. Domingas Vicência da Conceição teria nascido em  1876 aproximadamente. E o ano de nascimento de Francisco de Paula Farias ficaria por volta de 1867. 
 
Certidão de casamento emitida em 2010, tendo como base o registro original existente no mesmo cartório (Bruno Farias) 

Não consta aqui o nome do pai, e a informação referente à origem do noivo que consta no registro original manuscrito diz que ele é natural deste estado. Relatos e documentações que seguem abaixo confirmam: apesar de ser popularmente conhecido como "Chico Brasileiro", Francisco de Paula Farias era de família portuguesa e nasceu na República Oriental do Uruguay.  Também se sabe que o noivo falava espanhol (conforme relata sua neta Zaira Farias Gondran). Acima é possível ver uma certidão desse mesmo registro do casamento realizado em 17/05/1891. 

Osvaldo Portella Farias, filho de Osvaldo Barros Farias
e Aurora Portella Farias, e neto de Francisco de Paula
 Farias e Domingas Vicência da Conceição Farias

Apesar disso, o documento comprova uma informação que já era conservada oralmente por seus familiares: Francisco de Paula Farias trabalhava nas charqueadas de Pelotas. O registro de casamento de Francisco e sua primeira esposa Domingas foi assinado por Bernardino Braulio Barcellos de Almeida (filho de Domingos José de Almeida e irmão de Junius Brutus de Almeida). O terreno mais tarde pertenceu a Francisco de Paula e sua esposa Domingas antes era propriedade de Domingos de Almeida - porém até o momento não se sabe quando e como a propriedade passou deste antigo dono para os Farias, e nem se houve ou não atravessadores.

Detalhe do registro de casamento de Francisco de Paula Farias e Domingas Farias, assinado por Bernardino Braulio Barcellos de Almeida (Cartório Dunas, Pelotas/RS - Foto de Bruno Farias)

Osvaldo Portella Farias, assim como seu pai e seus irmãos herdou várias das habilidades do avô, apelidado de "Chico Brasileiro". Ele conta que Francisco desempenhava as funções de carneador e de charqueador: "Se não me engano era na charqueada São João", acredita Osvaldo. Apesar de ser mais provável que, assim como a maioria dos outros funcionários, ele desempenhasse diferentes funções, dependendo da ocasião; e em diversas charqueadas dependendo da época, como contam outros entrevistados.

Um carneador cortando a carcaça de uma rês em uma charqueada do século XIX
(Detalhe de uma pintura reproduzida em www.imagenshistoricas.blogspot.com)

Isso foi reproduzido durante muitos anos por seus descendentes (sobretudo seu filho Osvaldo Farias), que trabalhavam ou trabalham até hoje com comércio, criação, abate, corte e beneficiamento da carne, do couro e até da graxa/sebo dos animais. Vale lembrar que em 1891 haviam se passado apenas 3 anos depois da abolição da escravatura (1888). E naturalmente os trabalhadores livres herdaram as tarefas que antes eram desempenhadas pelos cativos. Muitas vezes os funcionários das charqueadas trabalhavam por 14, 16 horas seguidas - reflexo da ausência de leis trabalhistas, criadas somente na década de 1940, durante o Estado Novo.
Detalhe do registro de nascimento de Bruno Timóteo Pires Farias, que confirma o nome de seus avós paternos, Januario e Thimothea Farias (Livro A-10, Folha 123,´Número de ordem 174, Cartório de Registro Civil Dunas, Documento 2, 14 de outubro de 1914)

A origem de Francisco de Paula Farias, assim como outras informações, podem ser obtidas com mais precisão no registro de nascimento de um filho do segundo casamento de Francisco, Bruno Timóteo Pires Farias, de 1914, arquivado no mesmo cartório - documento este que é o registro mais antigo conhecido que cite Francisco como morador do campo na Estrada Domingos de Almeida: "...Francisco Farias, agricultor, consorciado neste districto com Balbina Farias, ambos naturaes da República Oriental do Uruguay (...) declarou: que em sua residencia neste disticto no lugar denominado Estrada Domingos de Almeida, as treze horas sua mulher dera a luz uma criança do sexo masculino que chama-se Bruno Farias, são seus avós paternos Januario Farias e Thimothea Farias..." Ou seja: Francisco de Paula Farias era mesmo uruguaio, informação que bate com o que diz em outros documentos e com o que foi conservado oralmente por muitos de seus descendentes. Outro dado que foi omitido no registro de casamento de 1891 mas que consta neste é o nome do pai de Francisco: Januário Farias.
 
Marcado em vermelho, vizinho à casa do Barão e da Baronesa dos Três Cerros e na antiga propriedade de Domingos de Almeida e de seu herdeiro Junius Brutus Cassio de Almeida está o terreno de Francisco de Paula Farias (Imagem de satélite do Google Earth / Edição de Bruno Martins Farias - 2010) 

Casa na Domingos de Almeida ao lado do estacionamento da loja Krause que pertenceu a Francisco de Paula Farias (Foto de Bruno Martins Farias)

A casa acima, na esquina do antigo "Corredor das Tropas" (atual avenida São Francisco de Paula) com a então "Estrada Domingos de Almeida",  fica na referida propriedade de Francisco de Paula Farias pelo menos desde o ano anterior, em 1913, quando "Chico Brasileiro" a herdou de sua primeira esposa Domingas, assim como os 4 filhos do casal: Francisco Vicente, Francisca, Reinaldo e Osvaldo Farias. É o que consta de mais antigo nos registros referentes ao campo, existentes no  I Cartório do Registro de Imóveis, em Pelotas/RS. 

Este documento relacionado à partilha do terreno de Francisco de Paula
Farias fala um pouco sobre sua vida (Acervo de Joel dos Santos Farias)
 
As diferentes fontes documentais e entrevistas analisadas até o presente momento nos mostram que Francisco de Paula Farias nasceu entre 1867 (tinha 24 anos em 1891) e 1870 (71 anos em 1941*). Que era filho de Januario Farias e Thimóthea Maria da Conceição Farias; e que em 1891, quando ainda era trabalhador das "xarqueadas" pelotenses, ele se casou pela primeira vez com Anna Domingas Vicência da Conceição, com quem teve 4 filhos. E que Francisco viuvou em 1913, quando já havia se tornado agricultor no terreno herdado da finada Domingas, tendo seu quinto filho com uma segunda companheira chamada Balbina um ano depois, em 1914.
Detalhe de outra página do mesmo documento relacionado à partilha do
terreno de Francisco de Paula Farias (Acervo de Joel dos Santos Farias)

A primeira esposa de Francisco de Paula Farias era Anna Domingas Vicencia da Conceição (1876-1913), mãe de Osvaldo Barros Farias e de outras 3 crianças, com quem se casou em 1891; a segunda era Balbina Pires Farias, com quem se casou entre 1913 e 1914; e a terceira era Silvina Ferreira Farias, com quem ele viveu até o seu falecimento em 1941. Não se sabe os nomes de todos os seus filhos, porém alguns deles são conhecidos:

1o. casamento (1891-1913), com Anna Domingas Vicencia da Conceição
- "Osvaldo Farias" (1900-1972), filho de Domingas Vicência da Conceição e casado com Aurora (Barbosa) Portella Farias
- "Francisca Farias" (Chiquinha), modista em Pelotas no início do séc. XX
- "Reinaldo Farias"
- "Francisco Vicente Farias"
2o. casamento (1913 ou 1914-????) com Balbina Pires Farias
- "Bruno Timóteo Pires Farias", marítimo, nascido em 1914 na casa de seu pai na Estrada Domingos de Almeida.
3o. casamento (????-1941), com Silvina Ferreira Farias
- ???
- ???
- ???
- ???
- ???

Imagem de satélite da parte antiga do Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, em Pelotas/RS (Google Earth)

De acordo com os registros do Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, em Pelotas/RS, Francisco de Paula Farias consta como falecido em 22 de outubro de 1941, e não no dia 19 como consta no requerimento feito por Bruno Timoteo Pires Farias referente ao terreno de seu pai. Segundo a administração do campo santo, Francisco foi enterrado em um jazigo alugado, na parte antiga do cemitério. Após um período, também segundo a administração, outra pessoa pode ter sido sepultada sobre ele. No mesmo túmulo, algo que era comum acontecer quando os parentes não requisitassem os restos mortais do falecido após algum tempo - enquanto os finados mais antigos ficavam a 9 palmos abaixo do chão, os mais recentes eram enterrados a 7 palmos. Em outros casos, os ossos eram exumados e enterrados novamente em uma vala comum, sem qualquer identificação. Também pode ser que o corpo tenha se decomposto totalmente, como cogitou a mesma funcionária do cemitério. Essas possibilidades são apenas hipóteses, já que ainda não se sabe o destino exato dos restos de Francisco de Paula Farias.

Foto da parte antiga do Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, em Pelotas/RS (Bruno Farias) 

Porém apesar de não se saber exatamente onde foi o descanso final desse humilde trabalhador das charqueadas pelotenses, e de ele não ter um suntuoso jazigo de mármore na parte do campo santo onde estão os ricos barões, os grandes estancieiros e os donos das charqueadas, "Chico Brasileiro" é lembrado até hoje com orgulho e admiração por seus vizinhos e seus descendentes. Não só por seu "fio de bigode" e seu tradicionalismo, mas também por seu trabalho árduo e honesto que, direta ou indiretamente, deu sustento a vários de seus descendentes por pelo menos 120 anos.

* Atualizado em 19/12/2010. Revisado e ampliado em 06/02/2010

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