CLIQUE AQUI para pedir seu livro GEOGLIFOS GAÚCHOS com frete grátis* pra todo o Brasil

CLIQUE AQUI para pedir seu livro GEOGLIFOS GAÚCHOS com frete grátis* pra todo o Brasil
R$ 29,90 cada -*Informe-se sobre as condições da promoção - www.facebook.com/geoglifosgauchos

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

1927+- a 1953: O matadouro, salsicharia e charqueada de Osvaldo Farias em Cerrito/RS

Foto de casamento de Osvaldo Farias e Aurora Portella Farias colocada sobre o serrote de 1,20 m de comprimento usado para cortar os bois inteiros na sua charqueada em Cerrito/RS (Foto de Bruno Farias)

Depois do nascimento de sua filha Suelly Portella Farias em 1925, Osvaldo Farias e Aurora (Barbosa) Portella Farias retornaram à sua região de origem. Ele abriram então uma charqueada, salsicharia e matadouro em Cerrito/RS onde eram abatidos cerca de 15 animais por semana.

Moedor de carne da época do matadouro/charqueada/salsicharia de "Osvaldo Salameiro" (Bruno Farias)

A produção de charque, salame, salsichão, linguiça, queijo de porco, morcilha e outros era vendida para a população local (conforme lembra Tito Gentillini Ferro, ex-morador de Cerrito, filho de José Carolino Ferro, um dos donos das antigas Fábricas São José, dos irmãos Ferro); e também para os passageiros dos trens que paravam na Estação Cerrito (como recorda Antônio Farias, filho de Reinaldo Farias (irmão de Osvaldo Farias e filho de Francisco de Paula Farias).


Clementino Gentillinni Ferro, filho de um dos irmãos Ferro das extintas Fábricas São José (antigo engenho de arroz e fábrica de fumo desfiado e massas alimentícias no atual município de Cerrito/RS), fala de Osvaldo Barros Farias e sua família

Nesse período Aurora e Osvaldo Farias conceberam seus outros 12 filhos: Saul, Zaira, Irene, Heitor, Acy, Francisco de Assis, Aurorinha, Osvaldo e seu irmão gêmeo falecido ainda bebê, Teresinha e Flávio Portella Farias. Levei então o tio Osvaldo Portella Farias até Cerrito/RS, onde ele nasceu e de onde saiu em 1953, aos 9 anos de idade, sem nunca mais ter voltado lá até a presente data, dois de janeiro de 2011.

Ação do Cine Theatro Carlos Gomes, em Cerrito/RS, que pertenceu a Osvaldo Farias (Foto de Bruno Farias)

Poucos minutos antes, Osvaldo dizia que quase não se lembrava daquele lugar - ele sequer reconheceu o prédio do Cine Theatro Carlos Gomes (atual prefeitura de Cerrito/RS), do qual seu pai foi acionista na época da fundação da casa de espetáculos em 1937. Porém ao passar perto do cemitério da cidade, onde seu irmão gêmeo foi enterrado ainda bebê e cujos restos mortais ainda estão lá por ele ter sido colocado em uma parte do campo santo reservada a militares, a sua memória se reavivou.


Irene Portella Farias fala de seu avô Francisco de Paula Farias, de seu pai Osvaldo Barros Farias e de seus charques e embutidos 

"Tô sentindo o cheiro do meu imbigo" disse Osvaldo, referindo-se ao local onde nasceu pelas mãos de uma parteira vizinha dali e onde seu umbigo foi enterrado, como era costume na época. Metros depois ele viu uma casa antiga que lhe refrescou a memória, cujos atuais moradores indicaram um senhor de idade que morava logo em frente e que era um dos mais antigos da cidade.

Osvaldo Portella Farias e Cirilo Oliveira Souza em frente

Chegamos então até Cirilo Oliveira Souza, de 74 anos, popularmente conhecido como "Seu Canine", que nasceu e viveu a vida toda em Cerrito e atualmente é vizinho da antiga propriedade de Osvaldo Barros Farias. Ele conheceu pessoalmente "Osvaldo Salameiro" e sua família muito bem, e serviu o Exército junto com um deles, o tio Heitor Portella Farias, na década de 1950, depois deste já ter se mudado pra Pelotas com a família.
O terreno onde funcionou o matadouro/salsicharia/charqueada de Osvaldo Barros Farias entre o final da década de 1920 e o início da de 1950 (Bruno Farias)

Durante a conversa, foram lembrados alguns moradores da localidade, como o subprefeito Honório, que era um tipo de administrador e delegado; o "Tazinho", com quem Saul Portella Farias (um dos filhos de Osvaldo e Aurora) aprontou várias travessuras; o Doutor Jacques, um dos melhores médicos da cidade na época, que emprestou seu nome à escola existente em frente ao antigo matadouro de "Osvaldo Salameiro" (Osvaldo Barros Farias).


O terreno onde funcionou o matadouro / charqueada / salsicharia de Osvaldo Barros Farias e Aurora Portella Farias, em Cerrito/RS

Também se falou nos vizinhos "Canela Preta", "Vitoriano", "Maria Bonita" e a parteira que morava logo na esquina e que ajudou vários dos Portella Farias a virem ao mundo; entre outros. A casa antiga da esquina que refrescou a memória de Osvaldo Farias, segundo o Seu Canine, pertenceu a um vizinho fabricante de tijolos e telhas chamado "João Oleiro", e o terreno onde Osvaldo Farias viveu com sua família e teve um matadouro / charqueada / salsicharia hoje é utilizado pela Prefeitura de Cerrito/RS.


Segundo ele, já foram demolidos a moradia e o galpão de tijolos e telhas onde os animais eram abatidos e a carne era processada, assim como a velha mangueira de madeira usada pelos Farias para prender o gado que depois seria abatido. A casa, por exemplo, foi derrubada há 3 anos atrás. Não se sabe se ainda existe algum vestígio das construções que ali existiram além do piso da velha casa de Osvaldo Farias, visível até hoje. Sabe-se, por exemplo, que havia no local um enorme panelão de ferro fundido preso em uma base de concreto, no qual a graxa dos animais era derretida e transformada em sebo. O paradeiro do velho tacho é desconhecido, mas a filha de Osvaldo, Irene Portella Farias, lembra que dentro dele cabiam os ossos e a graxa de até 15 vacas. 

O piso da antiga casa de Osvaldo Barros Farias e Aurora Portella Farias, em Cerrito/RS (Bruno Farias)
Sobre o galpão antigo foi construído um novo, e da casa só restou o assoalho. Sabe-se apenas sobre 4 pertences de Osvaldo Farias e Aurora Portella Farias que existem até os dias de hoje, guardados por seus familiares: as ações do Cine Theatro Carlos Gomes, em Cerrito/RS; o serrote de 2 cabos com o qual Osvaldo e sua família cortavam as carcaças dos animais inteiras; a foto de casamento de Osvaldo e Aurora; e a velha espiriteira com a qual Aurora Portella Farias aquecia água pro chá das crianças à noite e que teria pertencido a sua mãe, Belenira Barbosa Portella. Objetos que testemunharam a vida árdua do charqueador Osvaldo Farias (1900-1972), o popular "Osvaldo Salameiro" de Cerrito/RS, filho de um simples trabalhador das charqueadas de Pelotas chamado Francisco de Paula Farias (1867-1941) e sua esposa Anna Domingas Vicência da Conceição (1876-1913).

Essa espiriteira era usada por Aurora Portella Farias para aquecer o chá das crianças à noite. De acordo com Irene Portella Farias, antes ela teria pertencido à sua avó Belenira Barbosa Portella, máe de Aurora (Bruno Farias)

Confira abaixo a entrevista gravada com Osvaldo Portella Farias e Cirilo Oliveira Souza em Cerrito/RS no dia 02/01/2011:

Bruno Farias entrevista Osvaldo Portella Farias, 68, e Cirilo Oliveira Souza, 74, em Cerrito-RS (01)

Bruno Farias entrevista Osvaldo Portella Farias, 68, e Cirilo Oliveira Souza, 74, em Cerrito-RS (02)

* Atualizado em 19/02/2011

Nenhum comentário:

Postar um comentário