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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Irene (Portella) Farias Oliveira e Leonel Júlio da Silva Oliveira


Uma das filhas de Osvaldo Barros Farias e Aurora (Barbosa) Portella Farias se chama Irene (Portella) Farias Oliveira. Após nascer em Cerrito/RS, onde seus pais tinham um matadouro, salsicharia e charqueada que contava inclusive com mangueiras onde era colocado gado para invernar, ou seja, para engordar após a longa viagem conduzida pelos tropeiros e antes de serem vendidos para os charqueadores - ou, nesse caso, para serem abatidos no próprio estabelecimento de Osvaldo Barros Farias e Aurora Portella Farias.


 ESQUERDA: A propriedade em Cerrito/RS onde os pais de Irene Farias Oliveira viviam e
trabalhavam entre 1925 e 1953. DIREITA: Os açougues e a casa em Pelotas/RS onde Osvaldo e
seus filhos viveram e trabalharam entre os inícios das décadas de 1950 e 1970 (Bruno Farias)


Irene e sua família se mudaram pra Pelotas no início da década de 1950, onde seu pai Osvaldo Barros Farias. Já na "Princesa do Sul", a família Portella Farias morava nas proximidades da Praça do Colono, no bairro Três Vendas.


Durante sua juventude, ela conheceu Leonel Júlio da Silva Oliveira, com quem se casou e teve 2 filhos: Maria Aparecida Farias Oliveira, que hoje tem 49 anos; e João Batista Farias Oliveira, já falecido. Os dois tiveram sérios problemas de saúde comuns numa época na qual a medicina ainda carecia de muita evolução para chegar ao patamar em que está hoje.

Maria Aparecida e João Batista Farias Oliveira (Acervo de Irene Farias Oliveira)

Maria Aparecida nasceu sadia, porém tem problemas motores causados por uma vacina contra a Poliomelite aplicada nela em excesso. Isso a impediu de estudar e de se casar apesar de ter o discernimento de uma pessoa normal e de saber ler e escrever normalmente. E João Batista, devido a uma outra doença comum na época (paralisia infantil?), também teve patologias decorrentes que mais tarde o tornaram deficiente mental. Irene cultiva até hoje com carinho uma planta que ele lhe deu há 40 anos atrás, e cuida de sua filha Maria Aparecida, hoje com 49 anos de idade.

Irene e Maria Aparecida posam pra foto junto à planta dada, há
cerca de 40 anos, por João Batista a sua mãe (Bruno Farias)

Leonel Oliveira trabalhou durante foi trabalhar com 12 anos em uma joalheria de Pelotas na qual era considerado o "lastro da casa" - de fato, o estabelecimento fechou 11 meses depois que ele se aposentou após 30 anos de labuta. Começou como ourives, depois como balconista e, nos últimos anos, foi gerente da casa. E nesse meio tempo, entre 1960 e 2000, ele organizou excursões para os mais variados lugares da região. São Miguel das Missões, Gramado, Canela, e o Bachini são dois exemplos de locais para o qual ele conduziu muitos turistas pelotenses ao longo dos anos. Não só preparava esses passeios como também diversas festas como as de São João, Dia das Mães, Páscoa, etc.



O guia turístico foi pioneiro ao levar ônibus de visitantes ao Bachini, na colônia de Pelotas, na década de 1960. Mais tarde ele emprestou seu nome a uma praça na mesma localidade, onde também foi homenageado com um busto de bronze. Uma réplica da escultura, feita pela artista plástica pelotense Luciane Correia (criadora da Estátua do Graniteiro e dos troféus dados a cidadãos ilustres de Capão do Leão, entre outros trabalhos), hoje está em exposição na vitrine da criadora da obra, na Galeria Satte Allan, em Pelotas/RS.

Leonel Oliveira em 1995, ao ser homenageado por seus 35 anos de
atuação como organizador de excursões (Acervo de Irene Farias Oliveira)

Outras homenagens foram feitas a Leonel Oliveira, entre elas três homenagens que marcaram os "aniversários" de sua atuação como organizador de excursões. A viúva de Leonel as guarda até os dias de hoje, expostas em sua sala de estar, junto com outras fotos e lembranças dos lugares para onde eles levaram excursões.

ESQUERDA, DE CIMA PRA BAIXO: Faixas de 1985, 1995 e 2000, comemorando respectivamente os 25,
35 e 40 anos de excursões organizadas por Leonel Júlio da Silva Oliveira (Acervo de Irene Farias Oliveira)
Irene (Portella) Farias Oliveira e sua filha Maria Aparecida atualmente moram na mesma casa onde morou com seu esposo Leonel durante décadas. Ela está com 74 anos. Leonel e João Batista foram sepultados em gavetas na parte antiga ("dos alemães") do Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, a poucos metros da antiga capela do campo santo. Ao lado deles estão os restos mortais de Marina Portella Farias, irmã de Irene, assim como seus pais Osvaldo Farias e Aurora (Barbosa) Portella Farias. 


Vale lembrar que Osvaldo foi proprietário de um matadouro / salsicharia / charqueada em Cerrito/RS, além de 3 açougues em Pelotas/RS. Porém ele veio de uma família modesta, e era filho de um humilde trabalhador das charqueadas de Pelotas chamado Francisco de Paula Farias e sua primeira esposa Anna Domingas Vicência da Conceição Farias. Osvaldo teve seu descanso final num jazigo simples, porém perpétuo. Talvez por ironia do destino, sua sepultura fica exatamente na parede da parte de trás do cemitério onde estão sepultados os nobres, os ricos e os grandes charqueadores de Pelotas, com seus mausoléus e túmulos de mármore, tão pomposos e ricamente adornados, esculpidos por grandes artistas da cidade. Luxo esse que foi obtido, é claro, com o sangue e o suor dos pobres e dos escravos que trabalhavam pra eles.

Irene (Portella) Farias Oliveira, falecida em 13/02/2013 (Acervo da família Farias)

Irene (Portella) Farias Oliveira faleceu em 13 de fevereiro de 2013, sendo sepultada no Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, junto ao seu esposo Leonel e próxima aos jazigos de seus pais, Osvaldo e Aurora, e seu filho João Batista. Maria Aparecida Farias Oliveira fica sob os cuidados de amigos da família.

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